Arquivo parajunho 21, 2007

Agora na web

Tem início hoje o blog Jornaleiro. É de suma importância frisar que a sua criação não foi espontânea, embora tenha sido muitas vezes, um planejada. Ele está, agora, na web por requisição da professora Laura Seligman, da disciplina de Redação Jornalística V, do curso de Comunicação Social – Jormalismo, da Univali.

 O trabalho vem sendo bastante produtivo em termos de produção de texto, uma vez que remete a conteúdos já vistos no semestre. De fato existe, porém, um pequeno problema para a autora e, talvez, um bom motivo de risadas e críticas para os leitores. Foi requisitado pela já mencionada professora, a publicação de cinco charges – fotos modificadas em um tom de humor. A idéia procede e vai de encontro com o aprendido em sala de aula. Acontece, porém, que a autora tem sérios problemas com qualquer recurso eletroeletrônico, entre eles, a informática. Por isso, leitores, as fotos aqui expostas em tom de charge, não passam de uma exigência formal e serão retiradas tão logo seja possível.

Cabe ainda aqui apresentar a autora de Jornaleiro. Daniela Maria de Andrade Schwerz é acadêmica do sétimo período de Jornalismo e Direito da Universidade do Vale do Itajaí, também atua como estagiária voluntária do programa Censura Livre da Rádio Educativa Univali FM. Nascida na cidade de Maravilha, no extremo-oeste catarinense, vive em Balneário Camboriú desde 2004.

Conforme o que já foi exposto, o Jornaleiro, ainda pretende, apenas preencher um requisito para a disciplina de Redação Jornalística, mas pode sim, acabar sendo um meio de expressão de idéias e informações.

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Polemizando

Saúde pública
Houvi há pouco, o secretário estadual da saúde, Luiz Eduardo Cherem, falar que se espanta ao ouvir que cidadãos do interior tenham que se deslocar para Florianópolis para receber atendimento. Espanto, mesmo, é alguém acreditar nisso!

Deu Boca
Como torcedora Colorada que sou, não posso deixar de externar minha alegria com a vitória do Boca Juniors na final da Libertadores. Como já ouvi por aí: Boca Juniors 2 x Meia Boca 0.

Moeda Verde
Não se pode deixar de parabenizar a atuação dos responsáveis pela investigação na Operação Moeda Verde. É louvável a atuação destemida do juiz Zenildo Bodnar, da Vara Federal Ambiental de Florianópolis e da jovem delegada da Polícia Federal Júlia Vegara da Silva. Esperamos que os exemplos sejam seguidos por outros membros do Judiciário e da polícia de todo o país.

Calheiros
A discussão pelos salões de beleza à fora é grande. Tudo isso começou por que Mônica Veloso foi enganada pelo senador? Será que ele prometeu deixar a mulher para ficar com ela e depois de muita enrolação, a jornalista decidiu se vingar??? Fofocas à parte, a verdade é que, se até membros do partido do Presidente do Senado pedem a sua renúncia, como é o caso de Pedro Simon (PMDB – RS), Renan está, sim, em um beco sem saída. Certamente a boa esposa o espera todas as noites para consolá-lo

O caos não-aéreo

Vida de estudante

Aos dezessete anos deixei a casa dos meus pais e fui tomar o rumo da vida adulta. Era o ano de 2002 e eu saía de uma cidade de quase vinte mil habitantes para aportar em uma de uns três milhões: de Maravilha para Porto Alegre.            

Não é preciso dizer que dei um salto para a vida. Universitária em Porto Alegre: nada poderia ser melhor. Esquecia-me, porém, que a minha casa continuava lá, a 500 quilômetros dali e que a estrada me esperava com freqüência. Mas, quando estamos longe de uma vida inteira que ficou para trás, a estrada é só uma pequena barreira que nos leva de volta ao lar. No início era assim que eu pensava, tudo era lindo. Até as surpresas que cada viagem de ônibus nos proporciona começarem a não serem mais tão agradáveis. Nesta minha aspiração ao jornalismo, penso constantemente sobre o que escrever e, tenho certeza que as viagens de ônibus que já fiz, renderiam um livro. Já devo ter rodado o equivalente a umas cinco voltas ao mundo e em cada viagem, uma história.            

Lembro de uma volta a Porto Alegre. Era domingo à noite, saíamos de Maravilha por volta das vinte e duas horas. Naquela vez, um amigo sentou-se na poltrona ao lado e conversamos e rimos muito. Ele era extremamente engraçado. Depois de algumas horas, em uma parada para o lanche, o motorista nos chama e pergunta:

- Vocês têm mala no bagageiro?

-Sim. Por quê? – Respondemos.

- Então é melhor dar uma olhada porque derramou melado de um balde.           

 Não preciso nem dizer que este episódio marcou a minha história de viajante.           

 Em 2004 mudei, contra a minha vontade, para Balneário Camboriú. Além de todas as desvantagens, havia uma pior: agora eram 650 quilômetros e um monopólio que encarecia a passagem e desqualificava o serviço. Nestes três anos foram tantas viagens infernais, que não gosto nem de lembrar.           

Minha esperança agora são as companhias aéreas que fazem o trecho Florianópolis – Chapecó, mas pelo jeito é melhor não cultivar ilusões.

Maravilha: uma cidade à venda

Em visita à minha cidade natal no último fim de semana, acompanhei a vereadora Maria Loiva à sessão da Câmara de Vereadores. Não por acaso, mas é que a nobre edil, como todos se referem aos membros do Legislativo Municipal, é minha mãe. Orgulhosamente, membro da oposição. 

Esta não foi minha primeira visita, mas mesmo que compareça à Casa em intervalos bastante esparsos, percebo que pouca coisa muda na pauta de votações. Nestas poucas sessões já pude tirar uma conclusão: o próximo projeto a ser colocado em votação, e em caráter de urgência, deve visar à mudança da fachada da nobre Casa. No projeto deve constar a troca da placa de identificação que diz: Câmara Municipal de Vereadores para Imobiliária Municipal de Maravilha. Sim, ali estão à venda terrenos, de várias dimensões e em localização privilegiada.  

Ora, ao comparecer às urnas, uma vez a cada quatro anos, para escolher um vereador, a sociedade espera que em sessões da Câmara sejam votados projetos que beneficiem a comunidade como um todo, principalmente aquelas pessoas que mais precisam da assistência do poder público.

Em Maravilha não é bem assim. Em três anos de mandato foram alienados cerca de vinte imóveis públicos. Todos, sem qualquer exceção, foram destinados a empresas ou pessoas com alto poder econômico na cidade. Um grupo beneficiado, entretanto, chama a atenção: empresas pertencentes à família da nora do atual Presidente da Casa. 

Como são as coisas, o segundo vereador mais votado, vota e defende só os interesses da família. Os 987 eleitores agradecem a lembrança. Pelo menos ele é coerente: foi isso que ele me disse lá na Câmara. Esqueci de perguntar: coerente com quem? Ah! Deve ser com o sogro do filho e suas empresas. 

Outro problema é a Biblioteca Pública Municipal. Ela podia não ser uma maravilha,  mas foi demolida. O prefeito prometeu que no lugar dela seria construído um prédio que abrigaria a Imobiliária Municipal (onde os vereadores vendem os terrenos públicos) e a Biblioteca. Meses depois, os livros estão às traças em uma sala alugada no segundo andar de um prédio pertencente a um correligionário do partido da situação, que também é beneficiado nas inúmeras alienações de imóveis. O terreno da ex-biblioteca foi vendido a preço de banana para outro empresário simpatizante do partido do Executivo. Pra quê biblioteca, né? Nem precisa… já pensou o povo ficar esperto, o que acontece ano que vem????  

A última grande venda ainda não foi efetivada. Coitado do povo, iludido, foi assistir à sessão para pressionar os vereadores a votar a favor do Projeto de Lei nº 020/07a alienação de um terreno. Disseram para eles que vai para a Cooperativa de Habitação para a construção de moradias populares. Coitados, iludidos, já que é de conhecimento de todos que o terreno já tem destino definido: a JJ Instalações Comerciais, da família da nora do vereador. Nenhuma lei proíbe a alienação de bens públicos. Acontece, porém, que para que a venda seja efetivada, é necessária uma avaliação do imóvel para se determinar um preço mínimo para o leilão. Em Maravilha, essa avaliação é feita por pessoas ligadas ao partido da situação, o que as torna inválidas. A conseqüência é esta: os terrenos são sub-avaliados. O leilão também é uma fraude, já que é feito pelo procurador jurídico do município.

Para piorar, a martelada final é dada, sempre, para pessoas com muito dinheiro na cidade. Muitas delas ligadas diretamente à Administração Municipal, como o secretário municipal da indústria, comércio e turismo e seu filho. Estas vendas têm encarecido drasticamente o preço dos imóveis da cidade. Para se ter uma idéia, terrenos são vendidos pela Administração Municipal por cinco mil reais e depois colocados à venda por trinta mil. 

 O município vive um déficit de cerca de duas mil casas populares e, nesse ritmo, logo, logo, vai ser necessário comprar terrenos para construí-las. Isso se um dia houver boa vontade de alguém para fazê-lo. 

Quem estiver de visita ao Oeste catarinense, pode dar uma passadinha em Maravilha, fica entre São Miguel do Oeste e Chapecó. A garantia é de bons negócios!!!

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